Abrindo o baú.
domingo, 10 de outubro de 2010
É, a adolescência está chegando...
Aniversários aqui em casa são comemorados antes, ao longo e depois. Uma coisa inacreditável. Todo mundo da família adora uma festinha, uma comidinha, um motivinho pra comemorar, bebemorar, tirar umas fotos, lógico!
Este aniversário da Ju (12 anos) vai ficar gravado.
Tudo bem, são 12 anos dela, 12 nosso de casamento feliz e cheio de acontecimentos memoráveis, mas é o marco de uma nova descoberta: "Eu faço o quê com a minha adolescência?"
Este ano o esquema era "Only for Girls".
Ela dividiu o grupo de amigas em dois: as do Street Dance rumo ao cinema e as da classe para uma pizza do papai.
Então, depois da aula de Street, se arrumaram e com o carro lotado fomos todas ao Shopping.
Compramos os ingressos em meio as conversas barulhentas, as poses para foto e as gírias. Elas falam duas palavras e três "tipo isso, tipo aquilo".
Todas sentaram no MCDonanlds e depois do lanche veio o pedido:
- Mãe, a gente pode andar no shopping sozinha?
Pronto. Eu estava excluída e ali ficou claro: eu era a adulta, não combinava mais andar junto... ai, meu Deus!
Antes mesmo que eu respondesse as amigas imploravam:
- Vai, tia, deixa! A gente anda no mesmo andar que você! Você vai por ali e a gente vai por aqui...
Eram oito implorando, deixei.
Fiquei olhando até elas entrarem na livraria e segui vendo as vitrines até entrar numa loja para trocar um vestido sem provar.
Quinze minutos? No máximo! Foi o tempo de distanciamento com elas. O suficiente pra encrenca acontecer.
Meu celular toca e do outro lado é a moça do estacionamento:
- Dona Fanny (Dona?), tem umas adolescentes aqui chorando...
- Como assim, chorando?
A moça passa o telefone:
- Mãe, sou eu... você não vai acreditar... tinha um menino que queria sequestrar a gente... ele seguiu a gente e a gente saiu correndo...
- Onde vocês estão?
- Algumas aqui no estacionamento e outras no banheiro do piso que você está.
Mandei todas para o banheiro e saí rapidinho deixando o vestido pra trás e querendo entender: como isto tudo aconteceu tão rápido?
Assim que me aproximei era choro misturado com gritos, com frases confusas, um escâdalo desmedido, uma piada. Tive que ser firme. Escândalo, não!
- Vocês acham mesmo que um garoto de 17 anos dá conta de sequestrar oito meninas ao mesmo tempo?
- Mas, mãe! Ele mexeu com a gente, seguiu a gente, junto com dois amigos... A gente ficou com medo!
- Ele estava PAQUERANDO vocês! Só isso!
- E se ele agarrasse a gente?
- Se temos medo de alguma coisa, devemos procurar um segurança e neste shopping tem um a cada meio metro! Outra coisa é entrar em uma loja e pedir pra ficar um pouco porque está com a sensação de estar sendo seguida...
Elas ouviam mas não processavam. Ainda achavam que o menino não estava brincando.
E ele estava. Digamos, que ele tinha um senso de humor irritante. Nada como provocar meninas que reagem e quando a presa corre, mais legal fica a caça.
Assim que todas estavam mais calmas e prontas para o cinema, veio o desfecho de que tudo não passava de provocação.
Elas olhavam a vitrine com o tênis bonito.
- Qual tênis você quer? Escolhe um que eu compro pra você. - disse o garoto na maior cara de pau.
E todas elas saíram correndo, de novo...
Talvez dele, talvez do enfrentamento da adolescência, talvez do medo que cresceu junto com elas de que tudo é perigoso fora da casa da gente, fora do olhar dos adultos...
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