Baú de Afetos
Histórias que a gente adora lembrar...
Abrindo o baú.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Estratégia para resolver problemas?
Cada criança tem seu jeito de resolver as coisas.
A Vitória sempre tenta resolver pelo lado mais fácil, lógico. Assim, sobra tempo pra brincar, oras!
Hoje, a professora mandou uma lição de casa que dizia o seguinte: "Escreva os nomes dos personagens de livros de história que você mais gosta."
Na folha havia 5 linhas.
A Vitória fez a lição e guardou. Achei rápido demais...
- Posso ver, filha? - perguntei devagarinho.
Quando peguei o papel morri de rir.
Ela resolveu fácil:
1. JOÃO
2. E
3. MA
4. RI
5. A
- Filha, a prô quer que você escreva 5 personagens que você gosta!
- TUDO ISSO? - disse indignada pegando a folha de volta.
Minha amiga Raquel de matemática disse que ela já tem ótima estratégia para resolver problemas!
Por que mãe sempre acha que a gente está de sacanagem?
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Adoro fazer aniversário!
Se tem uma coisa que me deixa feliz é o mês de Dezembro!
Tudo bem que tem correria, fechamento de notas dos alunos, conselho de classe (aarrrhhh!), recuperação, mil confraternizações e dez mil Engovs depois, mas tudo bem...
Ainda assim, adoro Dezembro!
Adoro que chega meu aniversário, vou reunir meus amigos, vou comer pizza do André, vou comprar meu presente (sempre me dou um presente), vou montar árvore de Natal e daí pensar devagarzinho no presente de cada um... Ando a cidade inteira, fico morta de cansada e feliz pra burro! Adoro bater pernas!
Tudo bem que o cansaço de Dezembro me pega na curva e eu tenho que tomar vitamina pra aguentar o tranco...
Por falar nisso, já fiz muitas trapalhadas em Dezembro.
Certa vez, o conselho de classe se estendeu e algumas salas continuariam a ser discutidas só à tarde. Por conta disso, resolvemos todos ir almoçar numa churrascaria.
Faça a idéia: mais de dez professores, coordenadores, falando pelos cotovelos numa mesa de churrascaria!
Saímos todos da escola afobados pra dar tempo de comer em paz, rir e voltar.
Lembro de catar minha bolsa correndo e entrar no carro da Marcia me arrumando.
Todo tempo em que passamos na churrascaria, eram piadas e mais piadas, gozações com quem não estava presente (óbvio!) e lembranças das patacoadas do ano que estava por terminar.
Todos os celulares estavam sobre as mesas. Vibravam ignorados e silenciados pelos nossos risos. Até que a Maria Eugênia olhou o dela e comentou que era da escola.
Ninguém deixou ela atender. Hora de almoço, oras!
Mas, pela insistência das ligações, resolvemos ir embora.
Ao dividirmos a conta para pagarmos, foi que me dei conta.
-Gente, quem colocou esta carteira azul na minha bolsa?
Mexi na carteira e junto vieram as risadas.
A BOLSA NÃO ERA A MINHA!
Era idêntica, é verdade. Mas, não a minha.
Que desespero! Era isso que a escola estava ligando sem parar pra achar a bolsa andarilha!
Voamos pra escola e todo mundo atrás de mim pra me ver devolver a bolsa. Santo sacarsmo!
Acontece que a dona da bolsa não gostou nada do episódio. Na verdade não sei se ela não gostou ou se ficou muito brava quando eu disse:
- Que coincidência! Puxa vida, você comprou a bolsa na promoção da Corello!
Acho que deveria ter ficado quieta....
Tudo bem que tem correria, fechamento de notas dos alunos, conselho de classe (aarrrhhh!), recuperação, mil confraternizações e dez mil Engovs depois, mas tudo bem...
Ainda assim, adoro Dezembro!
Adoro que chega meu aniversário, vou reunir meus amigos, vou comer pizza do André, vou comprar meu presente (sempre me dou um presente), vou montar árvore de Natal e daí pensar devagarzinho no presente de cada um... Ando a cidade inteira, fico morta de cansada e feliz pra burro! Adoro bater pernas!
Tudo bem que o cansaço de Dezembro me pega na curva e eu tenho que tomar vitamina pra aguentar o tranco...
Por falar nisso, já fiz muitas trapalhadas em Dezembro.
Certa vez, o conselho de classe se estendeu e algumas salas continuariam a ser discutidas só à tarde. Por conta disso, resolvemos todos ir almoçar numa churrascaria.
Faça a idéia: mais de dez professores, coordenadores, falando pelos cotovelos numa mesa de churrascaria!
Saímos todos da escola afobados pra dar tempo de comer em paz, rir e voltar.
Lembro de catar minha bolsa correndo e entrar no carro da Marcia me arrumando.
Todo tempo em que passamos na churrascaria, eram piadas e mais piadas, gozações com quem não estava presente (óbvio!) e lembranças das patacoadas do ano que estava por terminar.
Todos os celulares estavam sobre as mesas. Vibravam ignorados e silenciados pelos nossos risos. Até que a Maria Eugênia olhou o dela e comentou que era da escola.
Ninguém deixou ela atender. Hora de almoço, oras!
Mas, pela insistência das ligações, resolvemos ir embora.
Ao dividirmos a conta para pagarmos, foi que me dei conta.
-Gente, quem colocou esta carteira azul na minha bolsa?
Mexi na carteira e junto vieram as risadas.
A BOLSA NÃO ERA A MINHA!
Era idêntica, é verdade. Mas, não a minha.
Que desespero! Era isso que a escola estava ligando sem parar pra achar a bolsa andarilha!
Voamos pra escola e todo mundo atrás de mim pra me ver devolver a bolsa. Santo sacarsmo!
Acontece que a dona da bolsa não gostou nada do episódio. Na verdade não sei se ela não gostou ou se ficou muito brava quando eu disse:
- Que coincidência! Puxa vida, você comprou a bolsa na promoção da Corello!
Acho que deveria ter ficado quieta....
domingo, 10 de outubro de 2010
É, a adolescência está chegando...
Aniversários aqui em casa são comemorados antes, ao longo e depois. Uma coisa inacreditável. Todo mundo da família adora uma festinha, uma comidinha, um motivinho pra comemorar, bebemorar, tirar umas fotos, lógico!
Este aniversário da Ju (12 anos) vai ficar gravado.
Tudo bem, são 12 anos dela, 12 nosso de casamento feliz e cheio de acontecimentos memoráveis, mas é o marco de uma nova descoberta: "Eu faço o quê com a minha adolescência?"
Este ano o esquema era "Only for Girls".
Ela dividiu o grupo de amigas em dois: as do Street Dance rumo ao cinema e as da classe para uma pizza do papai.
Então, depois da aula de Street, se arrumaram e com o carro lotado fomos todas ao Shopping.
Compramos os ingressos em meio as conversas barulhentas, as poses para foto e as gírias. Elas falam duas palavras e três "tipo isso, tipo aquilo".
Todas sentaram no MCDonanlds e depois do lanche veio o pedido:
- Mãe, a gente pode andar no shopping sozinha?
Pronto. Eu estava excluída e ali ficou claro: eu era a adulta, não combinava mais andar junto... ai, meu Deus!
Antes mesmo que eu respondesse as amigas imploravam:
- Vai, tia, deixa! A gente anda no mesmo andar que você! Você vai por ali e a gente vai por aqui...
Eram oito implorando, deixei.
Fiquei olhando até elas entrarem na livraria e segui vendo as vitrines até entrar numa loja para trocar um vestido sem provar.
Quinze minutos? No máximo! Foi o tempo de distanciamento com elas. O suficiente pra encrenca acontecer.
Meu celular toca e do outro lado é a moça do estacionamento:
- Dona Fanny (Dona?), tem umas adolescentes aqui chorando...
- Como assim, chorando?
A moça passa o telefone:
- Mãe, sou eu... você não vai acreditar... tinha um menino que queria sequestrar a gente... ele seguiu a gente e a gente saiu correndo...
- Onde vocês estão?
- Algumas aqui no estacionamento e outras no banheiro do piso que você está.
Mandei todas para o banheiro e saí rapidinho deixando o vestido pra trás e querendo entender: como isto tudo aconteceu tão rápido?
Assim que me aproximei era choro misturado com gritos, com frases confusas, um escâdalo desmedido, uma piada. Tive que ser firme. Escândalo, não!
- Vocês acham mesmo que um garoto de 17 anos dá conta de sequestrar oito meninas ao mesmo tempo?
- Mas, mãe! Ele mexeu com a gente, seguiu a gente, junto com dois amigos... A gente ficou com medo!
- Ele estava PAQUERANDO vocês! Só isso!
- E se ele agarrasse a gente?
- Se temos medo de alguma coisa, devemos procurar um segurança e neste shopping tem um a cada meio metro! Outra coisa é entrar em uma loja e pedir pra ficar um pouco porque está com a sensação de estar sendo seguida...
Elas ouviam mas não processavam. Ainda achavam que o menino não estava brincando.
E ele estava. Digamos, que ele tinha um senso de humor irritante. Nada como provocar meninas que reagem e quando a presa corre, mais legal fica a caça.
Assim que todas estavam mais calmas e prontas para o cinema, veio o desfecho de que tudo não passava de provocação.
Elas olhavam a vitrine com o tênis bonito.
- Qual tênis você quer? Escolhe um que eu compro pra você. - disse o garoto na maior cara de pau.
E todas elas saíram correndo, de novo...
Talvez dele, talvez do enfrentamento da adolescência, talvez do medo que cresceu junto com elas de que tudo é perigoso fora da casa da gente, fora do olhar dos adultos...
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Minha filha está para descobrir o que é amor...
Minha filha está namorando. Como assim? Esses dias há pouco ela disse que beijar era nojento, que menino enchia o saco! Meu Deus!
- Mãe, sabe o que aconteceu? O Dudu me pediu em namoro... daí, eu pensei... sabe, ele é legal.... eu até que gosto dele, ele é amigo do Leon, meu, da Julia... sei lá... Eu disse sim...
- "Sei lá, eu disse sim" ?? Mas por quê?
- Ah, todo mundo namora, né mãe?! Você não vai me proibir, né?!
- Mas, filha... você não precisa namorar porque todo mundo namora... Sinceramente, eu achava que você fosse namorar o Leon... vocês vivem no MSN, estão sempre conversando na escola... não tem alguma coisa errada nesta história, não?!
- Pára com isso, mãe! O Leon é meu amigo, saco! Toda hora vocês falam isso!
- Tá bom Ju, não vou encher... desculpe. (No fundo eu ria e o pai só completava a irritação dela.)
- Sabe de uma coisa, Ju? - provocava o pai - Mulher não tem melhor amigo... Sua mãe casou com o melhor amigo dela...Pense bem...
Ela ficou muito brava e saiu disparada pro quarto.
O tempo passou e o Leon acabou namorando a Julia, amiga da Juliana, que namora o Dudu e é grande amigo do Leon... Oi?! Isso mesmo! Um quarteto enrolado! Vivem juntos no recreio.
-Tipo assim, mãe: a gente namora pra ficar todo mundo conversando.
- Ah, sei...E tem beijo?
-Mãe, na escola não pode beijar!
- Sei...(até parece...)
Daí, um dia desses, ela me desce as escadas e lá vem história, de novo...
- Mãe, o Leon teve uma idéia e a Cris, mãe dele, já concordou.
- O que quer dizer, então, que eu sou obrigada a concordar?
- Não é isso... sabe... o Leon é meu melhor amigo... eu sou a melhor amiga dele, certo?!
- E...
- Então, tem coisas que o Leon só conta pra mim e eu pra ele... e a Julia... bem...
- O que tem a Julia?
- A Julia morre de ciúmes e eu não posso contar pra ela o que ele me conta porque é segredo!
- E qual foi a idéia do Leon?
- A gente não chega cedo na escola das meninas (das irmãs)? Então, a mãe dele também chega e a gente pensou que ele podia vir no nosso carro até a nossa escola... pra gente conseguir conversar alguma coisa...
- Mas, Ju a escola é muito perto! Não vai dar 5 minutos de conversa!
- Mãe, é um jeito da gente conseguir conversar! E a mãe dele já deixou, só falta você!
Como adolescente tem argumento! Tem escapatória?
No dia seguinte, no dia do combinado, não encontramos o Leon na porta do Infantil e fomos de bico pra escola, lógico!
Eu encontrei a Cris, minha colega de trabalho, e ela me pergunta se tinha acontecido alguma coisa com a Ju.
- Por quê?
- O Leon estava tão apressado de manhã! Nem me deixou terminar o café!
- Ué, Cris! Era pra chegar na hora do combinado.
- Que combinado?
- Uai, eles falaram que você tinha deixado eles se encontrarem...
Parei a frase no meio e nós duas começamos a rir.
Naquele momento eu percebi que era um "jeito da gente estar um pouco mais junto".
Naquele momento eu percebi que tinha uma pessoa que também gosta muito da minha filha, além de mim e do André.
Naquele momento eu percebi que ela ainda não percebeu: o amor se disfarça de muitas formas, mesmo.
Transbordei de ternura.
- Mãe, sabe o que aconteceu? O Dudu me pediu em namoro... daí, eu pensei... sabe, ele é legal.... eu até que gosto dele, ele é amigo do Leon, meu, da Julia... sei lá... Eu disse sim...
- "Sei lá, eu disse sim" ?? Mas por quê?
- Ah, todo mundo namora, né mãe?! Você não vai me proibir, né?!
- Mas, filha... você não precisa namorar porque todo mundo namora... Sinceramente, eu achava que você fosse namorar o Leon... vocês vivem no MSN, estão sempre conversando na escola... não tem alguma coisa errada nesta história, não?!
- Pára com isso, mãe! O Leon é meu amigo, saco! Toda hora vocês falam isso!
- Tá bom Ju, não vou encher... desculpe. (No fundo eu ria e o pai só completava a irritação dela.)
- Sabe de uma coisa, Ju? - provocava o pai - Mulher não tem melhor amigo... Sua mãe casou com o melhor amigo dela...Pense bem...
Ela ficou muito brava e saiu disparada pro quarto.
O tempo passou e o Leon acabou namorando a Julia, amiga da Juliana, que namora o Dudu e é grande amigo do Leon... Oi?! Isso mesmo! Um quarteto enrolado! Vivem juntos no recreio.
-Tipo assim, mãe: a gente namora pra ficar todo mundo conversando.
- Ah, sei...E tem beijo?
-Mãe, na escola não pode beijar!
- Sei...(até parece...)
Daí, um dia desses, ela me desce as escadas e lá vem história, de novo...
- Mãe, o Leon teve uma idéia e a Cris, mãe dele, já concordou.
- O que quer dizer, então, que eu sou obrigada a concordar?
- Não é isso... sabe... o Leon é meu melhor amigo... eu sou a melhor amiga dele, certo?!
- E...
- Então, tem coisas que o Leon só conta pra mim e eu pra ele... e a Julia... bem...
- O que tem a Julia?
- A Julia morre de ciúmes e eu não posso contar pra ela o que ele me conta porque é segredo!
- E qual foi a idéia do Leon?
- A gente não chega cedo na escola das meninas (das irmãs)? Então, a mãe dele também chega e a gente pensou que ele podia vir no nosso carro até a nossa escola... pra gente conseguir conversar alguma coisa...
- Mas, Ju a escola é muito perto! Não vai dar 5 minutos de conversa!
- Mãe, é um jeito da gente conseguir conversar! E a mãe dele já deixou, só falta você!
Como adolescente tem argumento! Tem escapatória?
No dia seguinte, no dia do combinado, não encontramos o Leon na porta do Infantil e fomos de bico pra escola, lógico!
Eu encontrei a Cris, minha colega de trabalho, e ela me pergunta se tinha acontecido alguma coisa com a Ju.
- Por quê?
- O Leon estava tão apressado de manhã! Nem me deixou terminar o café!
- Ué, Cris! Era pra chegar na hora do combinado.
- Que combinado?
- Uai, eles falaram que você tinha deixado eles se encontrarem...
Parei a frase no meio e nós duas começamos a rir.
Naquele momento eu percebi que era um "jeito da gente estar um pouco mais junto".
Naquele momento eu percebi que tinha uma pessoa que também gosta muito da minha filha, além de mim e do André.
Naquele momento eu percebi que ela ainda não percebeu: o amor se disfarça de muitas formas, mesmo.
Transbordei de ternura.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Gabriela sapeca.
Estamos separando as fotos para a retrospectiva o aniversário de 5 anos da Vit, a irmã mais nova; eu e a Gabriela que me ajuda a fazer tudo. Está sempre preocupada se eu preciso de ajuda. Uma fofa!
Entre as fotos achamos uma foto dela com as amiguinhas da escola que são as mesmas há 6 anos. A Gabi mudou demais em 2 anos. Não faz mais tanta traquinagem.
Lembrei-me da primeira grande travessura. Gabriela e as amigas cabularam aula aos 4 anos de idade!
Conta a professora que determinado momento da atividade percebeu a ausência da Gabriela, Mariana, Vitória e Helena.
A auxiliar saiu da classe procurando por elas e achou estranho que não estivessem com o grupo assistindo ao filme.
Por onde teriam saído?
A auxiliar chamou, chamou, andou ao redor da escola toda, cheia de árvores, casinhas e brinquedos e nada.
Voltou já preocupada para contar para a professora.
- Como assim elas sumiram? Como a gente não viu?
Em cinco minutos estava a escola inteira procurando por elas.
- Será que saíram enquanto algum fornecedor entrou?
Quase...
Há um portãozinho que comunica a quadrinha com a casinha em que fica o Dep Financeiro.
A Gabi observou que era de apertar o botão para abrir o portão. Subiu, apertou e todas passaram para a casinha.
Como que a professora iria imaginar?
Depois de muito tempo, acharam as belezas comendo as bolachas da reunião, como se tivessem no chá da tarde.
- Por que vocês fizeram isto, filha?
- Mãe, ninguém tava gostando do filme! Era desenho em francês! Daí eu falei pra elas pra gente ir brincar lá fora e todo mundo foi.
(Era um curta. Em espanhol. Um desenho.)
Naquele dia, quase mataram todos de susto, depois de já terem aprontado uma boa.
Falei firme com ela e disse:
-Gabi, vocês estão sempre se metendo em encrenca. Se você não colaborar, você não vai ao aniversário da Helena no sábado, entendeu?
- Ichi, mãe... então já era....
-Como assim?
- É que tem outro bilhete na minha agenda...
Li o bilhete que dizia: "pergunte para a Gabriela o que ela fez no bebedor hoje."
- O que aconteceu hoje, Gabi, além de vocês sumirem?
- É que eu coloquei uniforme do empréstimo.
- Por quê?
E ela me mostra o uniforme todo molhado dentro de um saquinho.
- Ah, mãe, tava um calorão! A gente só tava brincando de cabeleireira, lavando os cabelos, ué!
-Quem lavou?
- Eu lavei todo mundo da classe com um baldinho!
Coitadas das professoras naquele dia!
Com certeza elas torceram para que nenhuma outra criança precisasse de uniformes do empréstimo, porque não tinha nenhum mais para contar história...
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Leitura de gestos.
Minha mãe faz aniversário!
Ela se tornou uma grande avó ao longo desses anos.
Seu amor contagiante convence até quem não gosta muito de gracinhas de crianças, que ser avó é mais divertido que se pensa.
Já vi de tudo nela: disposição para levar um e outro por aí, viajar, encarar Parque da Mônica com os quatro, achar choro de nenê gostoso e noites em claro engraçadas.
Não que não perca o humor às vezes,sim, é humana. Fala alto, é agitada, acha que domina qualquer assunto e ai daquele que duvidar. Seu esforço por viver bem é tão grande que faz com que consiga mesmo aprender o quiser. Ensina qualquer coisa e dá um jeito em qualquer situação.
E vem aprendendo muito com os netos. Vem colecionando embaraços, risos e choros de sono, brigas por doces, agradecimentos por ter uma vida parecida com um parque de diversões e abraços por ajudar na coleção de tampinhas.
Talvez não se lembre, mas há um embaraço gostoso de contar...
A Juliana tinha uns 3 anos quando meu pai entrou em casa, pela porta da cozinha, com uma aparência arrasada. Estava triste de verdade e, talvez, a Ju não tinha ainda entendido que o vovô também ficava triste às vezes.
Minha mãe, provavelmente, fazia umas três coisas ao mesmo tempo, enquanto observava a Ju brincar. Percebeu que ela acompanhou o avô com o olhar.
Ele colocou as chaves e a carteira na mesa e disse:
- Lúcia,tô chateado... Você não vai acreditar, mas morreu o Seu Zé... (não em lembro se era mesmo este o nome da pessoa, mas tudo bem...)
Minha mãe é emotiva, intensa e se envolve com o sofrimento dos outros.
- MEU DEUS ALCIRRRRR!!! MORREU DE QUÊ? COMO ASSIM? COITADO!!!
- Uai! - respondeu meu pai - morreu de tanto... (e fez com a mão direita aquele sinal de quando a pessoa enche a cara no boteco da esquina. Talvez quisesse evitar as palavras na presença da Juliana.)
- Nossa, coitada da mulher dele! - não se conformava minha mãe.
Um pouco mais tarde, minha mãe se vestiu e arrumou a Ju toda bonitinha pra visitar a viúva do morto que já havia ido há mais de uma semana.
Desceu a rua com a Juliana e foi forçada a fazer uma visita mais rápido que o esperado.
- Dona Eulália (também não sei se é este o nome dela), meus pêsames... Nossa, ficamos tão chateados, tão tristes com a notícia! Puxa vida, nos desculpe! Ficamos sabendo só hoje! Puxa vida, podíamos ter ido... que coisa...
- Eu entendo... -respondeu a viúva.
- Mas, Dona Eulália, foi tão de repente! O que aconteceu? Como foi que ele faleceu? Meu Deus, que pena!
E nessa hora, minha mãe se pudesse evaporava. A Ju relembrou a leitura do gesto do avó na cozinha, oras!
- Você sabe vó! Foi de beber a pinga, né?!
Ela se tornou uma grande avó ao longo desses anos.
Seu amor contagiante convence até quem não gosta muito de gracinhas de crianças, que ser avó é mais divertido que se pensa.
Já vi de tudo nela: disposição para levar um e outro por aí, viajar, encarar Parque da Mônica com os quatro, achar choro de nenê gostoso e noites em claro engraçadas.
Não que não perca o humor às vezes,sim, é humana. Fala alto, é agitada, acha que domina qualquer assunto e ai daquele que duvidar. Seu esforço por viver bem é tão grande que faz com que consiga mesmo aprender o quiser. Ensina qualquer coisa e dá um jeito em qualquer situação.
E vem aprendendo muito com os netos. Vem colecionando embaraços, risos e choros de sono, brigas por doces, agradecimentos por ter uma vida parecida com um parque de diversões e abraços por ajudar na coleção de tampinhas.
Talvez não se lembre, mas há um embaraço gostoso de contar...
A Juliana tinha uns 3 anos quando meu pai entrou em casa, pela porta da cozinha, com uma aparência arrasada. Estava triste de verdade e, talvez, a Ju não tinha ainda entendido que o vovô também ficava triste às vezes.
Minha mãe, provavelmente, fazia umas três coisas ao mesmo tempo, enquanto observava a Ju brincar. Percebeu que ela acompanhou o avô com o olhar.
Ele colocou as chaves e a carteira na mesa e disse:
- Lúcia,tô chateado... Você não vai acreditar, mas morreu o Seu Zé... (não em lembro se era mesmo este o nome da pessoa, mas tudo bem...)
Minha mãe é emotiva, intensa e se envolve com o sofrimento dos outros.
- MEU DEUS ALCIRRRRR!!! MORREU DE QUÊ? COMO ASSIM? COITADO!!!
- Uai! - respondeu meu pai - morreu de tanto... (e fez com a mão direita aquele sinal de quando a pessoa enche a cara no boteco da esquina. Talvez quisesse evitar as palavras na presença da Juliana.)
- Nossa, coitada da mulher dele! - não se conformava minha mãe.
Um pouco mais tarde, minha mãe se vestiu e arrumou a Ju toda bonitinha pra visitar a viúva do morto que já havia ido há mais de uma semana.
Desceu a rua com a Juliana e foi forçada a fazer uma visita mais rápido que o esperado.
- Dona Eulália (também não sei se é este o nome dela), meus pêsames... Nossa, ficamos tão chateados, tão tristes com a notícia! Puxa vida, nos desculpe! Ficamos sabendo só hoje! Puxa vida, podíamos ter ido... que coisa...
- Eu entendo... -respondeu a viúva.
- Mas, Dona Eulália, foi tão de repente! O que aconteceu? Como foi que ele faleceu? Meu Deus, que pena!
E nessa hora, minha mãe se pudesse evaporava. A Ju relembrou a leitura do gesto do avó na cozinha, oras!
- Você sabe vó! Foi de beber a pinga, né?!
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Roxa de vergonha...
Por intermédio dos filhos ganhamos muitos amigos ao longo da vida. Isto é fato!
Tivemos muita sorte a este respeito, desde quando a Juliana conheceu a Giovanna, o João e a Julia, aos 4 anos.
Ganhei grandes amigas: Kelly, Vanessa e Rose.
Logo as famílias foram aumentando e formamos uma turma! Uma verdadeira excursão cada vez que resolvemos sair.
Já dividimos muitas histórias engraçadas dos nossos filhos, viagens e registros. Mas, esta história, desta vez não foi com os filhos que aconteceu...
Fomos todos pra Bernardino, cidadezinha do interior de SP, pra irmos pro sítio do pai da Vanessa.
Dormimos na cidade e na manhã seguinte arrumamos todas as coisas e rumo ao sítio! Que gostoso!
A Vanessa é sempre a mais agitada de nós, o que me dá um certo conforto. Minha preguiça de ter que pensar no que vamos comer, o que vamos fazer, o que temos que levar é resolvida por ela, sempre, graças a Deus!
Naquele dia ela me disse que iria parar na centro da cidade pra comprar refri e que queria me mostrar uma mulher que fazia lindos bordados.
-Não vai demorar nada! Eu pego os refrigerantes e te encontro na casa lilás, tá?!
Todas as casas lá são grudadinhas e pintadinhas. Cada uma de uma cor, uma gracinha!
Eu e minha lerdeza de feriado, não prestamos muita atenção nas orientações da Vanessa sobre o ponto de encontro. Porém, o que poderia dar errado, não é mesmo? Duas ruas de centro de cidade!
Andei pela calçada e logo vi a casa lilás.
Várias pessoas estavam na portinha da casa.
-Essa mulher deve ser boa bordadeira. Que movimento!
Fui chegando e as pessoas me deixaram passar. Cumprimentavam-me bem a costume do interior.
Entrei, dei uma olhada pra ver se via a Vanessa, sentei na sala de espera.
- A senhora é amiga de quem? - perguntou-me uma senhorinha.
- Eu? Sou amiga da Vanessa... a senhora a viu?
- Ai, que graça a Vanessa te mandar representando a família!
- Como assim, representando? Eu...
- Venha, vou te apresentar Dona Marcelina.
Segui a senhorinha dois cômodos adentro até a sala que era um pouco maior.
Pra minha surpresa, a Dona Marcelina era a viúva que velava o morto do meio da sala.
- Obrigada, viu filha! A Vanessa é um amor mesmo de mandar você...
Eu não conseguia falar nada. O que eu podia falar? - "A senhora me desculpe, mas é um engano, a gente nem sabia que seu marido tinha morrido?"
Depois que eu cumprimentei metade da cidade dentro daquela casinha, fui saindo de fininho e senti um grande alívio ao chegar na calçada.
Olhei pro outro lado da rua e vi a Vanessa.
- O que você está fazendo aí? Eu falei casinha lilás! Não roxa!
Roxa eu fiquei foi de vergonha naquele dia.
Tivemos muita sorte a este respeito, desde quando a Juliana conheceu a Giovanna, o João e a Julia, aos 4 anos.
Ganhei grandes amigas: Kelly, Vanessa e Rose.
Logo as famílias foram aumentando e formamos uma turma! Uma verdadeira excursão cada vez que resolvemos sair.
Já dividimos muitas histórias engraçadas dos nossos filhos, viagens e registros. Mas, esta história, desta vez não foi com os filhos que aconteceu...
Fomos todos pra Bernardino, cidadezinha do interior de SP, pra irmos pro sítio do pai da Vanessa.
Dormimos na cidade e na manhã seguinte arrumamos todas as coisas e rumo ao sítio! Que gostoso!
A Vanessa é sempre a mais agitada de nós, o que me dá um certo conforto. Minha preguiça de ter que pensar no que vamos comer, o que vamos fazer, o que temos que levar é resolvida por ela, sempre, graças a Deus!
Naquele dia ela me disse que iria parar na centro da cidade pra comprar refri e que queria me mostrar uma mulher que fazia lindos bordados.
-Não vai demorar nada! Eu pego os refrigerantes e te encontro na casa lilás, tá?!
Todas as casas lá são grudadinhas e pintadinhas. Cada uma de uma cor, uma gracinha!
Eu e minha lerdeza de feriado, não prestamos muita atenção nas orientações da Vanessa sobre o ponto de encontro. Porém, o que poderia dar errado, não é mesmo? Duas ruas de centro de cidade!
Andei pela calçada e logo vi a casa lilás.
Várias pessoas estavam na portinha da casa.
-Essa mulher deve ser boa bordadeira. Que movimento!
Fui chegando e as pessoas me deixaram passar. Cumprimentavam-me bem a costume do interior.
Entrei, dei uma olhada pra ver se via a Vanessa, sentei na sala de espera.
- A senhora é amiga de quem? - perguntou-me uma senhorinha.
- Eu? Sou amiga da Vanessa... a senhora a viu?
- Ai, que graça a Vanessa te mandar representando a família!
- Como assim, representando? Eu...
- Venha, vou te apresentar Dona Marcelina.
Segui a senhorinha dois cômodos adentro até a sala que era um pouco maior.
Pra minha surpresa, a Dona Marcelina era a viúva que velava o morto do meio da sala.
- Obrigada, viu filha! A Vanessa é um amor mesmo de mandar você...
Eu não conseguia falar nada. O que eu podia falar? - "A senhora me desculpe, mas é um engano, a gente nem sabia que seu marido tinha morrido?"
Depois que eu cumprimentei metade da cidade dentro daquela casinha, fui saindo de fininho e senti um grande alívio ao chegar na calçada.
Olhei pro outro lado da rua e vi a Vanessa.
- O que você está fazendo aí? Eu falei casinha lilás! Não roxa!
Roxa eu fiquei foi de vergonha naquele dia.
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