Minha filha está namorando. Como assim? Esses dias há pouco ela disse que beijar era nojento, que menino enchia o saco! Meu Deus!
- Mãe, sabe o que aconteceu? O Dudu me pediu em namoro... daí, eu pensei... sabe, ele é legal.... eu até que gosto dele, ele é amigo do Leon, meu, da Julia... sei lá... Eu disse sim...
- "Sei lá, eu disse sim" ?? Mas por quê?
- Ah, todo mundo namora, né mãe?! Você não vai me proibir, né?!
- Mas, filha... você não precisa namorar porque todo mundo namora... Sinceramente, eu achava que você fosse namorar o Leon... vocês vivem no MSN, estão sempre conversando na escola... não tem alguma coisa errada nesta história, não?!
- Pára com isso, mãe! O Leon é meu amigo, saco! Toda hora vocês falam isso!
- Tá bom Ju, não vou encher... desculpe. (No fundo eu ria e o pai só completava a irritação dela.)
- Sabe de uma coisa, Ju? - provocava o pai - Mulher não tem melhor amigo... Sua mãe casou com o melhor amigo dela...Pense bem...
Ela ficou muito brava e saiu disparada pro quarto.
O tempo passou e o Leon acabou namorando a Julia, amiga da Juliana, que namora o Dudu e é grande amigo do Leon... Oi?! Isso mesmo! Um quarteto enrolado! Vivem juntos no recreio.
-Tipo assim, mãe: a gente namora pra ficar todo mundo conversando.
- Ah, sei...E tem beijo?
-Mãe, na escola não pode beijar!
- Sei...(até parece...)
Daí, um dia desses, ela me desce as escadas e lá vem história, de novo...
- Mãe, o Leon teve uma idéia e a Cris, mãe dele, já concordou.
- O que quer dizer, então, que eu sou obrigada a concordar?
- Não é isso... sabe... o Leon é meu melhor amigo... eu sou a melhor amiga dele, certo?!
- E...
- Então, tem coisas que o Leon só conta pra mim e eu pra ele... e a Julia... bem...
- O que tem a Julia?
- A Julia morre de ciúmes e eu não posso contar pra ela o que ele me conta porque é segredo!
- E qual foi a idéia do Leon?
- A gente não chega cedo na escola das meninas (das irmãs)? Então, a mãe dele também chega e a gente pensou que ele podia vir no nosso carro até a nossa escola... pra gente conseguir conversar alguma coisa...
- Mas, Ju a escola é muito perto! Não vai dar 5 minutos de conversa!
- Mãe, é um jeito da gente conseguir conversar! E a mãe dele já deixou, só falta você!
Como adolescente tem argumento! Tem escapatória?
No dia seguinte, no dia do combinado, não encontramos o Leon na porta do Infantil e fomos de bico pra escola, lógico!
Eu encontrei a Cris, minha colega de trabalho, e ela me pergunta se tinha acontecido alguma coisa com a Ju.
- Por quê?
- O Leon estava tão apressado de manhã! Nem me deixou terminar o café!
- Ué, Cris! Era pra chegar na hora do combinado.
- Que combinado?
- Uai, eles falaram que você tinha deixado eles se encontrarem...
Parei a frase no meio e nós duas começamos a rir.
Naquele momento eu percebi que era um "jeito da gente estar um pouco mais junto".
Naquele momento eu percebi que tinha uma pessoa que também gosta muito da minha filha, além de mim e do André.
Naquele momento eu percebi que ela ainda não percebeu: o amor se disfarça de muitas formas, mesmo.
Transbordei de ternura.
Abrindo o baú.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Gabriela sapeca.
Estamos separando as fotos para a retrospectiva o aniversário de 5 anos da Vit, a irmã mais nova; eu e a Gabriela que me ajuda a fazer tudo. Está sempre preocupada se eu preciso de ajuda. Uma fofa!
Entre as fotos achamos uma foto dela com as amiguinhas da escola que são as mesmas há 6 anos. A Gabi mudou demais em 2 anos. Não faz mais tanta traquinagem.
Lembrei-me da primeira grande travessura. Gabriela e as amigas cabularam aula aos 4 anos de idade!
Conta a professora que determinado momento da atividade percebeu a ausência da Gabriela, Mariana, Vitória e Helena.
A auxiliar saiu da classe procurando por elas e achou estranho que não estivessem com o grupo assistindo ao filme.
Por onde teriam saído?
A auxiliar chamou, chamou, andou ao redor da escola toda, cheia de árvores, casinhas e brinquedos e nada.
Voltou já preocupada para contar para a professora.
- Como assim elas sumiram? Como a gente não viu?
Em cinco minutos estava a escola inteira procurando por elas.
- Será que saíram enquanto algum fornecedor entrou?
Quase...
Há um portãozinho que comunica a quadrinha com a casinha em que fica o Dep Financeiro.
A Gabi observou que era de apertar o botão para abrir o portão. Subiu, apertou e todas passaram para a casinha.
Como que a professora iria imaginar?
Depois de muito tempo, acharam as belezas comendo as bolachas da reunião, como se tivessem no chá da tarde.
- Por que vocês fizeram isto, filha?
- Mãe, ninguém tava gostando do filme! Era desenho em francês! Daí eu falei pra elas pra gente ir brincar lá fora e todo mundo foi.
(Era um curta. Em espanhol. Um desenho.)
Naquele dia, quase mataram todos de susto, depois de já terem aprontado uma boa.
Falei firme com ela e disse:
-Gabi, vocês estão sempre se metendo em encrenca. Se você não colaborar, você não vai ao aniversário da Helena no sábado, entendeu?
- Ichi, mãe... então já era....
-Como assim?
- É que tem outro bilhete na minha agenda...
Li o bilhete que dizia: "pergunte para a Gabriela o que ela fez no bebedor hoje."
- O que aconteceu hoje, Gabi, além de vocês sumirem?
- É que eu coloquei uniforme do empréstimo.
- Por quê?
E ela me mostra o uniforme todo molhado dentro de um saquinho.
- Ah, mãe, tava um calorão! A gente só tava brincando de cabeleireira, lavando os cabelos, ué!
-Quem lavou?
- Eu lavei todo mundo da classe com um baldinho!
Coitadas das professoras naquele dia!
Com certeza elas torceram para que nenhuma outra criança precisasse de uniformes do empréstimo, porque não tinha nenhum mais para contar história...
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Leitura de gestos.
Minha mãe faz aniversário!
Ela se tornou uma grande avó ao longo desses anos.
Seu amor contagiante convence até quem não gosta muito de gracinhas de crianças, que ser avó é mais divertido que se pensa.
Já vi de tudo nela: disposição para levar um e outro por aí, viajar, encarar Parque da Mônica com os quatro, achar choro de nenê gostoso e noites em claro engraçadas.
Não que não perca o humor às vezes,sim, é humana. Fala alto, é agitada, acha que domina qualquer assunto e ai daquele que duvidar. Seu esforço por viver bem é tão grande que faz com que consiga mesmo aprender o quiser. Ensina qualquer coisa e dá um jeito em qualquer situação.
E vem aprendendo muito com os netos. Vem colecionando embaraços, risos e choros de sono, brigas por doces, agradecimentos por ter uma vida parecida com um parque de diversões e abraços por ajudar na coleção de tampinhas.
Talvez não se lembre, mas há um embaraço gostoso de contar...
A Juliana tinha uns 3 anos quando meu pai entrou em casa, pela porta da cozinha, com uma aparência arrasada. Estava triste de verdade e, talvez, a Ju não tinha ainda entendido que o vovô também ficava triste às vezes.
Minha mãe, provavelmente, fazia umas três coisas ao mesmo tempo, enquanto observava a Ju brincar. Percebeu que ela acompanhou o avô com o olhar.
Ele colocou as chaves e a carteira na mesa e disse:
- Lúcia,tô chateado... Você não vai acreditar, mas morreu o Seu Zé... (não em lembro se era mesmo este o nome da pessoa, mas tudo bem...)
Minha mãe é emotiva, intensa e se envolve com o sofrimento dos outros.
- MEU DEUS ALCIRRRRR!!! MORREU DE QUÊ? COMO ASSIM? COITADO!!!
- Uai! - respondeu meu pai - morreu de tanto... (e fez com a mão direita aquele sinal de quando a pessoa enche a cara no boteco da esquina. Talvez quisesse evitar as palavras na presença da Juliana.)
- Nossa, coitada da mulher dele! - não se conformava minha mãe.
Um pouco mais tarde, minha mãe se vestiu e arrumou a Ju toda bonitinha pra visitar a viúva do morto que já havia ido há mais de uma semana.
Desceu a rua com a Juliana e foi forçada a fazer uma visita mais rápido que o esperado.
- Dona Eulália (também não sei se é este o nome dela), meus pêsames... Nossa, ficamos tão chateados, tão tristes com a notícia! Puxa vida, nos desculpe! Ficamos sabendo só hoje! Puxa vida, podíamos ter ido... que coisa...
- Eu entendo... -respondeu a viúva.
- Mas, Dona Eulália, foi tão de repente! O que aconteceu? Como foi que ele faleceu? Meu Deus, que pena!
E nessa hora, minha mãe se pudesse evaporava. A Ju relembrou a leitura do gesto do avó na cozinha, oras!
- Você sabe vó! Foi de beber a pinga, né?!
Ela se tornou uma grande avó ao longo desses anos.
Seu amor contagiante convence até quem não gosta muito de gracinhas de crianças, que ser avó é mais divertido que se pensa.
Já vi de tudo nela: disposição para levar um e outro por aí, viajar, encarar Parque da Mônica com os quatro, achar choro de nenê gostoso e noites em claro engraçadas.
Não que não perca o humor às vezes,sim, é humana. Fala alto, é agitada, acha que domina qualquer assunto e ai daquele que duvidar. Seu esforço por viver bem é tão grande que faz com que consiga mesmo aprender o quiser. Ensina qualquer coisa e dá um jeito em qualquer situação.
E vem aprendendo muito com os netos. Vem colecionando embaraços, risos e choros de sono, brigas por doces, agradecimentos por ter uma vida parecida com um parque de diversões e abraços por ajudar na coleção de tampinhas.
Talvez não se lembre, mas há um embaraço gostoso de contar...
A Juliana tinha uns 3 anos quando meu pai entrou em casa, pela porta da cozinha, com uma aparência arrasada. Estava triste de verdade e, talvez, a Ju não tinha ainda entendido que o vovô também ficava triste às vezes.
Minha mãe, provavelmente, fazia umas três coisas ao mesmo tempo, enquanto observava a Ju brincar. Percebeu que ela acompanhou o avô com o olhar.
Ele colocou as chaves e a carteira na mesa e disse:
- Lúcia,tô chateado... Você não vai acreditar, mas morreu o Seu Zé... (não em lembro se era mesmo este o nome da pessoa, mas tudo bem...)
Minha mãe é emotiva, intensa e se envolve com o sofrimento dos outros.
- MEU DEUS ALCIRRRRR!!! MORREU DE QUÊ? COMO ASSIM? COITADO!!!
- Uai! - respondeu meu pai - morreu de tanto... (e fez com a mão direita aquele sinal de quando a pessoa enche a cara no boteco da esquina. Talvez quisesse evitar as palavras na presença da Juliana.)
- Nossa, coitada da mulher dele! - não se conformava minha mãe.
Um pouco mais tarde, minha mãe se vestiu e arrumou a Ju toda bonitinha pra visitar a viúva do morto que já havia ido há mais de uma semana.
Desceu a rua com a Juliana e foi forçada a fazer uma visita mais rápido que o esperado.
- Dona Eulália (também não sei se é este o nome dela), meus pêsames... Nossa, ficamos tão chateados, tão tristes com a notícia! Puxa vida, nos desculpe! Ficamos sabendo só hoje! Puxa vida, podíamos ter ido... que coisa...
- Eu entendo... -respondeu a viúva.
- Mas, Dona Eulália, foi tão de repente! O que aconteceu? Como foi que ele faleceu? Meu Deus, que pena!
E nessa hora, minha mãe se pudesse evaporava. A Ju relembrou a leitura do gesto do avó na cozinha, oras!
- Você sabe vó! Foi de beber a pinga, né?!
Assinar:
Comentários (Atom)


