sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Nada de enganar ninguém nesta vida!

Alguns conceitos morais são realmente complicados de se ensinar.
Se não forem passados através do modelo de vida que levamos, não serão assimilados jamais.
Com criança pequena (os pré operatórios de Piaget) é assim. Ainda mais se forem nossos filhos, a responsabilidade dobra! Como é difícil ser o modelo do outro!

Foi no Natal passado que numa conversa de irmãs, tivemos a deixa que precisávamos para convencer a Vitória de largar a chupeta.

- Credo, Vit, que criancinha!, dizia a Gabriela, eu larguei minha chupeta com dois anos, não foi mãe?
- Eu gosto... - defendia-se a Vit.
- Mas Vitória! Você tá grande demais pra chupar chupeta!
- Não, eu ainda sou do mesmo tamanho de ontem...
- Ai! Presta atenção. Você podia levar a chupeta pro Papai Noel como eu fiz... Daí ele te dá balas e você faz o pedido da boneca pra ele... Ele só vai trazer se você der as chupetas pra ele...
- Todas?, desesperava-se a Vitória.
- Lógico, né!- explicava a Gabi.
- Mas e depois? E na hora de eu dormir?
- Você tem que pensar em outra coisa e daí você esquece rapidinho...
- Mas eu gosto!
- ENTÃO O PAPAI NOEL NÃO VAI TE DAR PRESENTE!! - já perdia a paciência a Gabriela.
- Tá bom. Vou levar no shopping, vai...

Daí, elas vieram até mim e fingimos, eu e o André, que não tínhamos ouvido nada.

- Mãe, a Vit quer ir no Shopping levar as chupetas pro Papai Noel. Não é, Vit? Fala! - dizia a Gabriela.
- É mesmo, filha? Que legal!
- Tá bom... eu vou...

Achei que ela não estava muito convencida, mas tínhamos que apoiar a decisão. Fazia parte do ritual de crescimento. Afinal, ninguém vai pro G5 de chupeta, segundo a Gabriela.

Chegando ao Shopping, pegamos uma fila kilométrica. Todo mundo feliz e incentivando a Vit.
- Que gracinha! Que decidia ela é! Trouxe a bolsinha cheia de chupetas...

Sentou-se no colo do Papai Noel e entregou tudo de uma vez. Foi elogiada. Sorriu pra gente. Fez seu pedido, tirou foto e desceu.
- Que legal o que você fez, Vit!

Ela não parecia confortável. Fiquei com medo que voltasse atrás, que chorasse. Esperei um pouco para interpretar a sua reação.
Tomamos sorvete e ela não falava nada... 
Fomos embora e ao entrar no carro perguntei:
- Por que você está tão quietinha, Vit? Está tudo bem?
E ela:
- Tá... eu enganei o Papai Noel direitinho! - e mostrando uma chupeta, terminou - ainda bem que sobrou esta chupeta aqui!

Nestas alturas já estávamos na Marginal. A vontade de rir era imensa, mas seugramos a onda e corrigimos as irmãs que riam de se matar.
Acreditem: voltamos para o shopping. Pegamos a fila de novo e explicamos.
Não é por causa da chupeta, é porque não se engana ninguém. Nem mesmo o Papai Noel de mentirinha!

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