quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Preocupação de mãe ou de todos nós?

Hoje estou preocupada.
Fiz uma pergunta em uma de minhas salas de aula, enquanto terminávamos o período.
Juntando com minhas últimas constatações caseiras de como os adolescentes levam a vida, estou preocupada com a solidão deles. Ou falta de solidão?

Briguei com minha filha mais velha pelo excesso de exposição no MSN. Primeiro tive o acesso de raiva de vê-la enrolada o dia todo com as conversas e atrasada com as lições... Depois, refletindo, até que tem sentido usar uma ferramenta deste porte para trocas de idéias, discussões de livros, suporte e ajuda.
Mas, copiar lições uns dos outros... não dá.

O MSN virou a extensão da escola, pelo jeito. Ninguém faz mais nada sozinho. Nem pra ir ao banheiro. Tem gente que avisa que vai ao banheiro e já volta!
Não há privacidade em meio aos símbolos de linguagem. Aliás, me parece que só a linguagem que eles usam é o que os isola. Não uns dos outros, lógico, mas de nós adultos pertencentes a um mundo que eles não querem contato.

Eles se amam cada vez mais. Natural da adolescência. saudável se não for extremista. Querem acompanhar tudo, o dia inteiro, como se pudessem controlar os sentimentos dos outros...Como vão lidar com as frustrações?

Estão perdendo a surpresa das relações supercedo. Estão antecipando seus sentimentos antes de estarem pessoalmente os revelando.

Alguns me disseram que não saem do quarto pra comer, não descem pra brincar, não conversam muito com os pais, não conseguem fazer a lição sem estar conectado.

-Mas vocês não sentem falta de conversar com seus pais?

-Ah... a gente já conversou o dia todo com todo mundo...

Não sou "todo mundo". Não quero perder o diálogo da minha filha pela fixação deliciosa do MSN, orkut, face book, twitter...

Para isso, mesmo entendendo as necessidades e exigências desta geração, cavuco o diálogo, imponho a comunicação e escancaro os valores da nossa família, o que acredito ser a direção para o futuro dela.

Ainda que ela não acredite, chegará o dia em que  reconhecerá: nada substitui o contato pessoal, o olhar nos olhos do outro e estar ao alcance do abraço.

Esperançosamente,
Fanny

************************************************************************
Rapidinha:

Colocando a Vitória pra dormir entre o pai, a irmã mais velha e a irmã mais nova, disse:
- Durma com os anjinhos, meu amor.
- Com anjinhos não, mãe... Já tá muito apertado aqui!

Nenhum comentário:

Postar um comentário